África
Burkina Faso retira o francês como língua oficial e valoriza idiomas indígenas
Mooré, Bissa, Dyula e Fula passam a ser línguas oficiais em movimento histórico de valorização cultural

Burkina Faso deu um passo decisivo em sua política cultural e de soberania ao retirar o francês do status de língua oficial do país. A partir da nova emenda constitucional, os idiomas Mooré, Bissa, Dyula e Fula passam a ocupar esse lugar de prestígio, enquanto o francês se mantém apenas como língua de trabalho.
A medida responde a uma antiga demanda por reconhecimento das línguas locais, faladas pela ampla maioria da população. Estima-se que mais de 70 idiomas convivam no território burquinabê, sendo o Mooré o mais usado, presente na vida de mais da metade dos habitantes.
A decisão também reforça um movimento político mais amplo de distanciamento da influência francesa na região. Recentemente, Burkina Faso anunciou sua saída da Organização Internacional da Francofonia, em conjunto com Mali e Níger, países que compartilham da mesma trajetória histórica de colonização e resistência.
Mais do que uma mudança formal, a reforma constitucional busca consolidar um projeto de identidade nacional baseado em referências próprias, valorizando a oralidade, a memória e os saberes tradicionais. Ao elevar línguas indígenas ao status oficial, Burkina Faso envia uma mensagem clara: a de que sua diversidade cultural é, também, uma ferramenta de soberania e afirmação no cenário internacional.