Música
Shakira convoca Burna Boy, em união América Latina e África, na música oficial da Copa de 2026
Prévia de “Dai Dai”, música oficial da 2026 FIFA World Cup, reforça a força global do afrobeats
Quando Shakira apareceu ao lado de Burna Boy para anunciar “Dai Dai”, música oficial da 2026 FIFA World Cup, a internet imediatamente voltou para 2010.
Não apenas pela presença de Shakira em mais uma Copa, mas porque existe algo muito específico acontecendo ali: a permanência da influência africana como linguagem central da cultura pop global.
Se “Waka Waka” ajudou a transformar ritmos africanos em fenômeno planetário há 16 anos, “Dai Dai” surge em um cenário diferente: agora a música africana já não ocupa mais o lugar de inspiração periférica, ela virou centro.
E talvez seja exatamente isso que a escolha de Burna Boy representa.
O afrobeats não é mais tendência. É indústria global
Durante anos, artistas africanos foram consumidos globalmente quase sempre através de filtros ocidentais. Hoje, nomes como Burna Boy, Tems, Wizkid e Rema já operam como protagonistas da indústria musical mundial.
O afrobeats se transformou em um dos gêneros mais influentes da década: domina plataformas de streaming, movimenta festivais globais, atravessa o pop, o rap, o dancehall e reorganiza o eixo da música comercial contemporânea.
Por isso, a presença de Burna Boy na música oficial da Copa não funciona apenas como participação internacional estratégica. Ela revela uma mudança de centro cultural.
A FIFA parece tentar recuperar o impacto cultural que perdeu
Nos últimos anos, poucas músicas oficiais de Copa conseguiram realmente atravessar o imaginário popular. Muitas passaram rápido, viraram trilha promocional e desapareceram junto com o torneio.
“Waka Waka” foi diferente. A faixa ultrapassou o futebol e virou memória coletiva global. Talvez porque entendesse algo que a FIFA frequentemente esquece: copas não sobrevivem apenas de competição.
Elas sobrevivem de identidade cultural.
Agora, ao unir Shakira e Burna Boy, a entidade parece tentar reconstruir justamente essa dimensão simbólica. Uma música que não seja apenas trilha de transmissão, mas acontecimento cultural.
O teaser de “Dai Dai” foi gravado no Maracanã poucos dias após o megashow histórico de Shakira em Copacabana.
E a escolha do Brasil também não parece aleatória. Porque existe algo que conecta: futebol, música popular, diáspora africana, festa coletiva e identidade latino-africana.
A Copa de 2026 ainda nem começou, mas sua trilha sonora já aponta para um movimento importante: o reconhecimento de que a cultura global contemporânea passa, inevitavelmente, pela potência criativa africana.




