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Vini Jr. denuncia racismo em Lisboa: “Racistas são covardes”, Mbappé apoia e UEFA abre investigação
Partida da Champions foi paralisada após denúncia do atacante brasileiro; Entidade europeia emitiu comunicado e afirmou que o caso seguirá para o Comitê Disciplinar
Vinícius Júnior voltou a ser obrigado a fazer o que nenhum atleta deveria: interromper a própria profissão para denunciar racismo. Durante a partida entre Real Madrid e Benfica, em Lisboa, pela Liga dos Campeões, o brasileiro acionou o árbitro após relatar ter sido alvo de insulto racista em campo, o que levou à aplicação do protocolo antidiscriminação e à paralisação do jogo por alguns minutos.
Depois da partida, Vini publicou um desabafo forte nas redes sociais, com uma frase que resume o sentimento de quem já conhece esse roteiro de cor:
“Racistas são, acima de tudo, covardes.”
O atacante ainda criticou a forma como o episódio foi tratado e o contraste entre o que deveria ser prioridade e o que costuma acontecer: punições rápidas para o jogador que reage, e lentidão, ou dúvida conveniente, quando se trata de punir o agressor.

@vinijr
O que aconteceu no jogo
Segundo o relato do jogador e a repercussão da imprensa europeia, o episódio teria ocorrido logo após o gol do Real Madrid, quando Vinícius denunciou uma fala racista vinda de um atleta do Benfica. O árbitro foi informado e, seguindo o protocolo da UEFA, o jogo foi temporariamente interrompido.
A UEFA deve analisar o caso a partir do relatório da arbitragem e das imagens disponíveis. O jogador acusado nega as acusações.
No texto publicado após a partida, Vinícius não tratou o episódio como algo isolado. Pelo contrário: reforçou que situações assim não são novidade, nem para ele, nem para sua família, e apontou a estrutura que mantém esse tipo de violência circulando no futebol.
O recado é direto: racistas não agem sozinhos. Eles se sentem seguros porque sabem que, muitas vezes, há proteção institucional, omissão ou punições insuficientes.
E quando o alvo é um jogador negro com visibilidade global, a reação ainda vem carregada de um velho mecanismo: tentar transformar a denúncia em “polêmica”, como se o problema fosse quem fala, e não quem agride.
Entre os jogadores do Real Madrid estava Kylian Mbappé, que não apenas participou normalmente da partida, como também se posicionou firmemente ao lado de Vinícius após o incidente.
Mbappé afirmou em entrevistas que ouviu o suposto insulto racista, chegando a dizer que Prestianni teria chamado Vinícius de “macaco” cinco vezes, e criticou duramente a conduta, afirmando que o jogador acusado “não merece disputar uma competição como a Champions League”.
Durante o jogo, já após a retomada do confronto, câmeras captaram momentos em que Mbappé parecia confrontar o atleta acusado, refletindo o impacto emocional do episódio e o apoio ao companheiro.
O francês também destacou que o grupo considerou não continuar a partida, dada a gravidade do comportamento denunciado, algo que seria um gesto simbólico forte contra qualquer forma de discriminação, segundo ele.
Comunicado oficial da UEFA
Horas depois da partida, a UEFA confirmou a abertura de uma investigação disciplinar sobre o caso. Em nota, a entidade anunciou que um inspetor de ética e disciplina foi nomeado para analisar as alegações de comportamento discriminatório, com base nos relatórios oficiais e nas imagens do jogo.
O comunicado afirma que novas informações serão divulgadas no momento apropriado e que, se as alegações forem comprovadas, as sanções previstas no regulamento serão aplicadas.
Segundo as regras da competição, um jogador condenado por ofensas racistas pode enfrentar suspensão de até dez partidas ou mais, um dos exemplos mais rígidos do código disciplinar da UEFA.
Mais do que um caso: um padrão
A denúncia contra o Benfica reabre um debate que já acompanha Vinícius há anos, especialmente no futebol europeu: o racismo aparece, o atleta denuncia, o mundo se choca por alguns dias, e o sistema segue funcionando como se fosse inevitável.
E a fala de Vini carrega exatamente isso: não é apenas indignação. É cansaço. É o peso de viver a mesma violência em ambientes diferentes, sempre com a mesma promessa de que “agora vai”.




