África
Último paciente com ebola em Uganda recebe alta e país fica próximo do fim do surto
País africano não registra mais casos ativos da doença e poderá ser declarado livre do vírus em 42 dias
Uganda deu um passo importante no combate ao ebola. O último paciente do país em tratamento da doença recebeu alta do hospital. Com isso, o país africano não possui mais casos ativos confirmados e iniciou a contagem regressiva de 42 dias estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para ser oficialmente declarado livre do surto, desde que nenhuma nova infecção seja registrada nesse período.
O último paciente, um cidadão da República Democrática do Congo tratado no Hospital Nacional Mulago, em Kampala, recebeu alta nesta quinta-feira (16). Segundo o porta-voz do governo de Uganda, Alan Kasujja, o período de 42 dias corresponde ao dobro do tempo máximo de incubação do vírus e é um protocolo internacional adotado pela OMS para confirmar o encerramento de um surto.
Durante uma cerimônia para marcar a alta hospitalar, o ministro da Saúde de Uganda, Chris Baryomunsi, classificou o momento como “um momento de alegria” e destacou que a resposta rápida das autoridades sanitárias foi determinante para conter a doença.
“Isso demonstra que, com detecção precoce, tratamento imediato e um sistema de saúde robusto, o ebola pode ser derrotado”, afirmou o ministro. Apesar do avanço, ele reforçou que o país continuará em estado de vigilância e orientou a população a procurar atendimento médico imediato em caso de sintomas como febre, vômito, diarreia ou sangramentos inexplicáveis.
O surto em Uganda começou em maio, após a confirmação de um paciente que atravessou a fronteira vindo da República Democrática do Congo, atual epicentro da doença. Desde então, o país registrou 20 casos confirmados da variante Bundibugyo do vírus, incluindo 15 pessoas infectadas no Congo antes de chegarem a Uganda, além de duas mortes. O último caso confirmado havia sido registrado em 22 de junho.
O controle da doença em Uganda contrasta com a situação enfrentada pela República Democrática do Congo. Segundo a OMS, o país vive o terceiro maior surto de ebola já registrado no mundo. Dados oficiais apontam mais de 2 mil casos confirmados e cerca de 800 mortes, enquanto especialistas acreditam que o número real de infecções seja significativamente maior devido à subnotificação.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou recentemente que aproximadamente 80% dos novos casos no Congo estão ligados a cadeias de transmissão ainda desconhecidas, tornando a contenção da doença um desafio ainda maior. A resposta também é dificultada pela falta de leitos hospitalares, limitações no rastreamento de contatos, escassez de testes e pelos conflitos armados que afetam o leste do país.
A gravidade da epidemia também levou os Estados Unidos a endurecerem suas medidas sanitárias. O governo norte-americano passou a exigir que cidadãos que estiveram na República Democrática do Congo permaneçam 21 dias em um terceiro país antes de retornarem aos EUA, medida que, segundo organizações humanitárias, pode dificultar o envio de profissionais de saúde para a região afetada.
Uganda possui ampla experiência no enfrentamento do ebola após registrar diversos surtos nas últimas duas décadas. O país desenvolveu protocolos de resposta rápida que incluem isolamento de pacientes, rastreamento de contatos, campanhas de conscientização e monitoramento intensivo nas áreas de fronteira. Essas medidas são apontadas por especialistas como fundamentais para impedir que a atual epidemia tivesse a mesma dimensão observada no Congo.




