14 de maio de 2026

Afri News

PM interrompe cerimônia em terreiro de Curitiba com 14 viaturas e caso gera denúncias de racismo religioso

Vídeos da operação policial envolvendo o Terreiro Guerreiros do Vento circularam nas redes sociais

Barbara Braga | 14/05/2026
Thumbnail
- Crédito: Reprodução

Uma cerimônia religiosa realizada no Terreiro Guerreiros do Vento, em Curitiba, foi interrompida pela Polícia Militar do Paraná após uma denúncia anônima e terminou no centro de um debate nacional sobre racismo religioso e violência institucional contra comunidades de matriz africana.

Segundo relatos divulgados por frequentadores e lideranças religiosas, cerca de 14 viaturas policiais foram mobilizadas para atender a ocorrência no terreiro durante a realização de um ritual espiritual.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram o momento em que policiais cercam a entrada do espaço religioso, enquanto participantes da cerimônia questionam a dimensão da operação.

A denúncia estaria relacionada a suposta perturbação sonora. Ainda assim, a quantidade de agentes e viaturas enviadas ao local gerou indignação entre integrantes da comunidade religiosa, que passaram a denunciar tratamento desproporcional por parte das autoridades.

De acordo com integrantes do Terreiro Guerreiros do Vento, a denúncia estaria relacionada a suposta perturbação sonora. Ainda assim, a comunidade religiosa questiona o tamanho da operação mobilizada pela polícia para lidar com a situação.

Para frequentadores do terreiro, o episódio evidencia um padrão histórico de tratamento direcionado às religiões afro-brasileiras, frequentemente associadas à criminalização, suspeita e vigilância excessiva.

Nas redes sociais, lideranças religiosas também destacaram que ações semelhantes raramente acontecem com a mesma intensidade em espaços ligados a outras tradições religiosas.

Racismo religioso segue como realidade no Brasil

O episódio reacende uma discussão antiga no país: a perseguição histórica às religiões de matriz africana.

Embora a liberdade religiosa seja garantida pela Constituição, terreiros de umbanda e candomblé continuam sendo alvo frequente de ataques, depredações, violência simbólica, denúncias abusivas e ações policiais consideradas desproporcionais.

Por isso, movimentos negros e especialistas passaram a utilizar o termo racismo religioso para definir esse tipo de violência.

A expressão busca mostrar que os ataques não acontecem apenas por intolerância à fé, mas também pela associação histórica entre negritude, religiosidade africana e marginalização social.

TAGS:
AUTOR:
Barbara Braga