Negócios
Pacto das Pretas aposta em liderança negra para redesenhar o futuro corporativo brasileiro
Circuito passa por Salvador, Rio e São Paulo com foco em governança, inovação e fortalecimento de mulheres negras em posições de liderança
Em um mercado que ainda discute os desafios da diversidade nos espaços de poder, o Festival Pacto das Pretas 2026 surge com uma proposta ambiciosa: reunir mais de 1,5 mil executivos, empreendedores, gestores e tomadores de decisão para discutir o papel das mulheres negras na transformação da economia, da tecnologia e da governança corporativa brasileira.
Realizado pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial, o circuito acontece durante o Julho das Pretas e percorre três capitais estratégicas do país: Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Com o tema “Movimento: Mulheres Negras Criando”, a iniciativa busca fortalecer a presença feminina negra nos espaços de liderança e conectar essa pauta diretamente ao universo corporativo.
A proposta conta com o apoio de empresas como Aegea, Caixa Capitalização, Banco do Brasil, Vivo, XP Inc. e Natura, reforçando o interesse crescente do setor privado em iniciativas voltadas à equidade racial e de gênero.
A programação foi estruturada para discutir a presença de mulheres negras não apenas como beneficiárias de políticas de inclusão, mas como protagonistas dos processos de decisão dentro das organizações.
Painéis, conferências e workshops abordarão temas como governança corporativa, inteligência financeira, aceleração de carreiras executivas, inovação tecnológica, economia criativa e políticas públicas de inclusão racial.
O evento também propõe reflexões sobre o impacto da violência de gênero e raça dentro das organizações, tratando o tema como uma questão estratégica para empresas que buscam fortalecer suas práticas de governança e gestão de riscos.
Segundo Wânia Sant’Anna, presidenta do Conselho Deliberativo do Pacto de Promoção da Equidade Racial, o objetivo é ampliar as oportunidades para mulheres negras em posições de liderança.
“Nosso objetivo é fortalecer o protagonismo feminino negro por meio de diálogos estratégicos, geração de oportunidades, desenvolvimento de lideranças e ampliação de conexões entre o setor privado, poder público, academia, terceiro setor e movimentos sociais”, afirma.
Tecnologia, educação e impacto social
Um dos principais destaques desta edição será o lançamento da Black Hub, plataforma digital criada para ampliar o alcance das ações desenvolvidas pelo Pacto.
O ecossistema reunirá iniciativas voltadas à educação antirracista, formação profissional, cultura e desenvolvimento de lideranças negras, funcionando como uma ferramenta de conexão entre empresas, profissionais e organizações da sociedade civil.
A plataforma também servirá como base para novos projetos da instituição, incluindo uma cartilha voltada à implementação de práticas de ESG racial, um guia corporativo para enfrentamento da violência contra mulheres e o livro “Vozes que Ocupam”, publicação que reúne textos inéditos de importantes lideranças negras brasileiras.
O festival também será palco da etapa presencial do Programa Pacto Transforma, iniciativa que selecionou 30 executivas negras de diferentes regiões do país para uma jornada de formação voltada a cargos de alta liderança.
A proposta é preparar profissionais para ocupar posições estratégicas em conselhos administrativos, diretorias executivas e cargos de C-Level, ampliando a presença de mulheres negras nos níveis mais altos das organizações




