16 de julho de 2026

Representatividade

No mês da Mulher Negra, Duquesa, Rachel Reis, Eliane Dias, BIAB e Afreekassia mostram por que o protagonismo importa

Com a chegada do 25 de julho, trajetórias de mulheres negras evidenciam transformações profundas na música e na indústria cultural

Barbara Braga | 16/07/2026
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- Crédito: Divulgação | Meneson Conceição | @vinimarqu

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, nomes como Duquesa, Rachel Reis, BIAB, Afreekassia e Eliane Dias ajudam a contar uma história que vai muito além do sucesso individual. São mulheres que atuam em diferentes frentes da indústria cultural e que, juntas, revelam uma transformação profunda no modo como a música brasileira é criada, distribuída, consumida e pensada.

Porque o protagonismo negro feminino não está apenas no microfone. Ele também está na gestão, na estratégia, na curadoria, na formação de público, no empreendedorismo e na criação de novas possibilidades para quem vem depois.

Duquesa e a força de uma geração que ocupa o centro da cena

Nos últimos anos, Duquesa deixou de ser uma promessa para se tornar um dos nomes mais relevantes da música urbana brasileira.

Entre apresentações em grandes festivais, projetos autorais, reconhecimento internacional e uma audiência cada vez maior, a artista baiana consolidou uma trajetória que acompanha a expansão da presença feminina negra dentro do rap e da cultura pop nacional.

Sua recente participação no Tiny Desk Brasil, acompanhada por uma banda formada inteiramente por mulheres, simboliza uma carreira construída não apenas pelo talento, mas também pela valorização de espaços coletivos e representativos.

Rachel Reis e a liberdade de criar sem fronteiras

Misturando referências da MPB, reggae, samba, axé e pop contemporâneo, Rachel Reis construiu uma das identidades artísticas mais originais da nova música brasileira.

A cantora baiana transformou sua autenticidade em marca registrada, conquistando público dentro e fora do país e ocupando espaços importantes da indústria musical. Sua trajetória mostra como artistas negras vêm ampliando os limites do mercado sem abrir mão das próprias raízes.

Entre festivais, turnês internacionais e projetos autorais, Rachel se tornou uma das vozes mais influentes de sua geração.

Eliane Dias e o poder de transformar os bastidores

Enquanto muitas transformações acontecem diante das câmeras, outras são construídas longe dos holofotes. É nesse lugar que atua Eliane Dias, uma das mulheres mais influentes da indústria musical brasileira.

Advogada, empresária, ativista e CEO da Boogie Naipe, Eliane ajudou a construir parte importante da história do hip hop nacional e segue abrindo caminhos para artistas negros ocuparem posições de protagonismo e autonomia dentro do mercado.

Sua atuação demonstra que representatividade também passa pela gestão, pelo empreendedorismo e pela capacidade de criar estruturas que sustentem carreiras e projetos culturais de longo prazo.

BIAB e a conexão entre Brasil e diáspora

Com uma sonoridade que dialoga com o R&B, os afrobeats e a música brasileira contemporânea, BIAB representa uma geração que constrói pontes entre diferentes territórios da cultura negra.

Seu trabalho vem chamando atenção dentro e fora do país, demonstrando como artistas negras brasileiras estão cada vez mais inseridas em conversas globais sobre música, identidade e inovação.

A artista também simboliza uma nova fase da indústria, em que a conexão internacional acontece sem que seja necessário abandonar referências locais e ancestrais.

Afreekassia e a potência da criação multidisciplinar

Cantora, compositora e criadora de universos visuais próprios, Afreekassia ocupa um espaço que ultrapassa os limites da música.

Misturando rap, hip hop, estética, moda e narrativas sobre pertencimento e autoestima, a artista constrói uma obra que dialoga diretamente com a experiência da juventude negra contemporânea.

Seu crescimento na cena independente e sua presença em festivais e projetos culturais reforçam o papel das mulheres negras na criação de novas linguagens artísticas e culturais.

Muito além de uma data

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha não existe apenas para celebrar conquistas individuais. A data também convida à reflexão sobre os caminhos abertos por mulheres negras que, ao longo de décadas, desafiaram barreiras e criaram oportunidades para que novas gerações pudessem ocupar espaços antes inacessíveis.

Ao observar as trajetórias de Duquesa, Rachel Reis, Eliane Dias, BIAB e Afreekassia, fica evidente que a transformação da música brasileira passa diretamente pelo trabalho de mulheres negras. Nos palcos, nos escritórios, nos estúdios e nas plataformas digitais, elas seguem redefinindo o presente da cultura nacional e ajudando a construir um futuro mais diverso, criativo e representativo.

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Barbara Braga