Representatividade
Julho das Pretas: Museu das Favelas une a defesa dos territórios e o legado de Alcione
Programação especial em São Paulo conecta justiça climática, cultura e protagonismo feminino negro no Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha
Celebrar mulheres negras também é reconhecer quem constrói caminhos, preserva memórias e sustenta comunidades inteiras diante das desigualdades históricas. É com esse olhar que o Museu das Favelas, em São Paulo, realiza uma programação especial no próximo 25 de julho, data que marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
A iniciativa reúne debates sobre justiça climática, produção de conhecimento e cultura popular, destacando a atuação de mulheres negras em diferentes frentes de transformação social.
A programação começa com o lançamento do relatório “Clima & Cuidado”, desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Gênero e Justiça Climática do Observatório do Clima por meio do programa Defensoras por Defensoras.
O encontro propõe discutir experiências reais de mulheres que atuam na proteção de territórios ameaçados por desigualdades ambientais, econômicas e sociais. O debate parte de uma constatação cada vez mais evidente: os impactos da crise climática não atingem todas as pessoas da mesma forma e recaem, muitas vezes, sobre mulheres negras, periféricas, quilombolas e lideranças comunitárias.
Ao colocar essas vozes no centro da conversa, o Museu das Favelas amplia um debate que costuma ser tratado apenas sob a ótica ambiental, mas que também envolve raça, gênero e justiça social.
Alcione como símbolo de permanência
A segunda parte da programação mergulha na potência da cultura negra brasileira. Inspirado na exposição “Com Amor, Alcione”, atualmente em cartaz no museu, o Baile Tá ON! presta homenagem aos 50 anos de carreira da Marrom, uma das artistas mais importantes da música brasileira.
A atividade contará com participação da cantora Ana Be e mediação da educadora Bruna das Virgens, em um encontro que mistura música, conversa e memória coletiva.
A proposta é refletir sobre sua trajetória como referência para gerações de artistas negras e periféricas, destacando a dimensão política e cultural de sua presença na música brasileira.
A programação integra as ações do chamado Julho das Pretas, período que mobiliza instituições, coletivos e movimentos sociais em torno da valorização das contribuições históricas das mulheres negras na América Latina e no Caribe.




