Política
Nike vira alvo de investigação federal nos EUA após denúncias sobre políticas de diversidade
Investigação envolve contratações, promoções e programas de liderança e amplia pressão sobre estratégias corporativas de DEI
O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, abriu uma investigação contra a multinacional de artigos esportivos Nike por supostas práticas discriminatórias contra trabalhadores brancos em processos de contratação, promoção e desenvolvimento profissional. A apuração está sendo conduzida pela Equal Employment Opportunity Commission (EEOC), órgão federal responsável por aplicar as leis antidiscriminatórias no emprego, e colocou em evidência tensões persistentes em torno de programas de diversidade, equidade e inclusão (conhecidos pela sigla DEI) nos ambientes corporativos.
Segundo documentos apresentados pela EEOC ao tribunal federal do Distrito Leste do Missouri, existem “indícios razoáveis” de que a Nike teria adotado padrões ou práticas de tratamento discriminatório contra pessoas brancas em diversas áreas relacionadas ao emprego, incluindo contratação, demissão, promoção, seleção para programas de estágio e treinamentos. A investigação se volta, em grande parte, para metas públicas de diversidade e inclusão que faziam parte dos planos da empresa até 2025, especialmente aquelas referentes à representação racial em cargos de liderança.
A Nike havia divulgado metas para que 30% de suas posições de gestão fossem ocupadas por minorias raciais e étnicas, refletindo esforços amplos do setor privado nos últimos anos para enfrentar desigualdades e ampliar a diversidade nas estruturas de poder empresarial. No entanto, a EEOC argumenta que, caso essas metas tenham sido aplicadas de forma a excluir ou desfavorecer candidatos ou funcionários brancos, isso pode configurar violação da lei federal antidiscriminatória, em particular o Title VII do Civil Rights Act de 1964, que proíbe a discriminação racial no emprego.
A EEOC tentou inicialmente obter voluntariamente documentos e dados da Nike relacionados às práticas de emprego desde 2018. Diante da recusa ou insuficiência de informações, a comissão apresentou uma ação de cumprimento de intimação judicial, buscando acesso a e-mails, relatórios internos e políticas que detalhem o uso de dados raciais e étnicos em decisões de pessoal, incluindo demissões e critérios de seleção para programas corporativos.
Disputa sobre políticas de diversidade em clima político polarizado
A investigação ocorre em um momento de grande convergência entre política e questões de diversidade nos Estados Unidos. A presidente da EEOC, Andrea Lucas, nomeada durante o governo Trump, é uma crítica pública de programas de diversidade e inclusão que considera contrários à legislação vigente. Sua gestão tem enfatizado uma aplicação “colorblind” (sem consideração de raça) das leis antidiscriminatórias, argumentando que qualquer programa que favoreça um grupo racial em detrimento de outro pode ser interpretado como discriminação ilegal.
Essa postura está alinhada com a agenda geral da administração Trump de questionar e, em muitos casos, restringir políticas de equidade que foram ampliadas nas últimas décadas, especialmente em grandes corporações com programas públicos de DEI. Para críticos dessas ações, entretanto, a abordagem da EEOC pode ignorar a persistência de desigualdades estruturais e o papel das políticas de diversidade em ampliar oportunidades para grupos historicamente marginalizados.
Resposta da Nike e repercussão no setor privado
A Nike afirmou que a ação da EEOC representa uma “escalada incomum” na investigação e que a empresa tem cooperado com o órgão desde o início, fornecendo milhares de páginas de documentos e respostas detalhadas. Em comunicado, a multinacional reafirmou seu compromisso com práticas de emprego justas, legais e em conformidade com todas as leis antidiscriminatórias aplicáveis, incluindo a promoção de ambientes inclusivos e equitativos para todos os funcionários.




