Festivais e Shows
Gaby Amarantos, Bia Soull e Valesca lideram edição histórica dos 10 anos do Favela Sounds
Com artistas de Uganda e Tanzânia, festival celebra uma década transformando a música de favela em protagonista dos grandes debates culturais
Quando o Favela Sounds surgiu em Brasília, em 2016, a proposta parecia simples: criar um espaço onde a música produzida nas periferias pudesse ser celebrada em sua potência criativa.
Dez anos depois, o projeto se tornou muito mais do que um festival.
Entre os dias 31 de julho e 1º de agosto, o Favela Sounds retorna ao local onde tudo começou, a praça do Museu Nacional da República, no coração da capital federal, para celebrar uma década conectando territórios, sonoridades e narrativas que raramente ocupavam o centro da cena cultural brasileira.
A edição comemorativa reúne 22 artistas e transforma Brasília em um ponto de encontro entre diferentes expressões da cultura periférica contemporânea. Do funk ao rap, do tecnobrega ao amapiano, passando pelo singeli tanzaniano, o festival reafirma uma de suas principais marcas: mostrar que as periferias não apenas consomem cultura, elas criam, exportam e reinventam tendências.
Gaby Amarantos, Valesca e Kyan lideram uma celebração histórica
O lineup dos dez anos reúne nomes que ajudaram a construir a música popular brasileira recente.
Entre os destaques está Gaby Amarantos, referência fundamental para a projeção nacional do tecnobrega paraense e uma das artistas que melhor traduz a relação entre cultura popular, tecnologia e inovação.
Outra presença histórica é Valesca Popozuda, uma das figuras mais emblemáticas do funk carioca. Sua participação carrega um simbolismo especial para o festival, que também prestará homenagem ao legado de Mr. Catra, um dos primeiros artistas a apoiar a iniciativa ainda nos seus anos iniciais.
Representando a força da nova geração, Kyan leva ao festival uma trajetória que ajudou a aproximar funk, trap e rap das periferias paulistas ao grande público, consolidando-se como um dos principais nomes da música urbana contemporânea.
A programação também destaca artistas que vêm moldando os sons das quebradas brasileiras.
Puterrier, Carlos do Complexo, Ciça, Bia Soull, Bonekinha Iraquiana, ENME, DJ Méury e Stefanie representam diferentes territórios e formas de criação que surgem fora dos grandes centros tradicionais da indústria musical.
Cada apresentação ajuda a construir um retrato da diversidade cultural que atravessa as periferias brasileiras em 2026.
África segue ocupando lugar central na história do festival
Se existe uma característica que diferencia o Favela Sounds de muitos outros eventos culturais do país, é sua relação constante com o continente africano.
Desde as primeiras edições, o festival construiu pontes entre artistas brasileiros e cenas musicais africanas. Nesta edição, essa conexão ganha ainda mais força com a presença de Faizal Mostrixx, de Uganda, e DJ Travella, da Tanzânia.
Travella é considerado um dos principais nomes do singeli, gênero eletrônico acelerado que nasceu nas periferias de Dar es Salaam e que hoje figura entre os movimentos mais inovadores da música global.
Já Faizal Mostrixx leva ao palco uma combinação de música eletrônica africana, ritmos tradicionais e influências contemporâneas que atravessam diferentes países da África Oriental.
Ao longo de dez anos, o Favela Sounds reuniu quase 200 mil pessoas, apresentou artistas de mais de uma dezena de países e ajudou a projetar talentos que hoje ocupam espaços de destaque na música brasileira.
Mas sua contribuição vai além dos shows. Por meio do Favela Talks, braço formativo do projeto, o festival também investe em debates, oficinas, mentorias, residências artísticas e rodadas de negócios voltadas para profissionais da economia criativa das periferias.
A programação de 2026 contará com showcases de artistas do Distrito Federal e nomes como Nelson Rufino, DJ MU540, Japão (Viela 17) e outros representantes da música periférica brasileira.




