19 de março de 2026

Blacks Leaders

O Brasil está digitando: Monique Evelle, o nome mais buscado e o que isso revela sobre novos caminhos de poder

Entre reconhecimento, estratégia e decisões difíceis, empresária brasileira mostra que sucesso não se constrói só com talento, e nem apenas sob aplausos

Barbara Braga | 18/03/2026
Thumbnail
- Crédito: @moniqueevelle

Estar entre as mulheres mais pesquisadas do Brasil e ser reconhecida como uma das mais poderosas do país não é, para Monique Evelle, um ponto de chegada, mas um reflexo de um movimento maior.

Para ela, o interesse crescente por seu nome revela uma mudança de mentalidade: há uma busca mais ativa por novos caminhos de carreira, negócios e influência, especialmente fora dos modelos tradicionais. Mas por trás desse reconhecimento recente, existe uma construção de mais de uma década, marcada por constância, reposicionamento e decisões pouco visíveis.

@moniqueevelle

O mito do talento e o que realmente sustenta

Um dos pontos centrais da visão de Monique é a desconstrução de uma ideia ainda muito presente no imaginário profissional: a de que talento, por si só, garante sucesso.

Na prática, ela defende que o diferencial está na capacidade de executar o que precisa ser feito, inclusive (e principalmente) o que não é glamouroso. Rotinas operacionais, estudo constante, compreensão de riscos e disciplina diária fazem parte de um processo que raramente aparece, mas que sustenta qualquer crescimento consistente.

“Talento nunca será suficiente. Se eu não fizer o que deve ser feito todos os dias, mesmo sem aplausos, o dinheiro não chega.”

Essa leitura ganha ainda mais peso quando atravessada por questões estruturais. Ao falar sobre desigualdade racial no acesso a capital e oportunidades, Monique reconhece o problema, mas também reforça a importância da autorresponsabilidade como ferramenta de avanço dentro desse cenário.

Poder, para além da estética

O reconhecimento recente, incluindo listas como a da Forbes Brasil, reforça uma imagem pública de influência. Ainda assim, a definição de poder, para Monique, está distante de status ou visibilidade.

“Entre poder, fama e dinheiro, eu sempre vou escolher o poder. Porque poder é poder de decisão. É poder dizer sim, poder dizer não, escolher os projetos que eu quero fazer, os clientes que eu quero atender e também poder sair de cena quando eu quiser.”

Poder, em sua perspectiva, é autonomia.

É a capacidade de escolher projetos, definir prioridades, recusar caminhos e, principalmente, decidir o próprio ritmo. Essa autonomia também inclui algo pouco romantizado: o direito de se retirar, pausar ou mudar de direção, sem que isso represente fracasso.

Dos holofotes ao bastidor: o que o público não vê

Parte da projeção de Monique também passa por sua presença no Shark Tank Brasil, onde atua como investidora. Mas, para além do que aparece na tela, seu trabalho está profundamente ligado à análise detalhada de negócios, riscos e potencial de execução.

“As pessoas veem os cortes de quinze minutos. O que ninguém vê são as madrugadas.”

Esse olhar técnico influencia diretamente sua tese de investimento, hoje mais voltada a negócios que se sustentam no comportamento real das pessoas, aqueles que fazem parte do dia a dia e constroem receita recorrente.

@oguidoferreira | @moniqueevelle

Ao mesmo tempo, sua presença no programa tem um impacto simbólico relevante. A identificação de novos empreendedores com sua trajetória evidencia como representatividade ainda é um fator decisivo na ampliação de acesso a espaços de poder.

Sentar à mesa não basta

Ao olhar para o futuro, Monique aponta menos para a ausência de talentos e mais para a falta de preparo, especialmente emocional e estratégico, para ocupar e sustentar posições de decisão.

“O mais difícil não é sentar à mesa. É sustentar a mesa.”

A metáfora é clara: no mundo dos negócios, não basta participar do jogo, é preciso entender suas regras. E isso envolve, muitas vezes, aprender no processo, assumir riscos e lidar com inseguranças.

Mais do que conquistar espaço, o desafio está em permanecer nele, com consistência, preparo psicológico e capacidade de adaptação.

Afeto, amor e construção de base

Um dos pontos que amplia a complexidade de sua trajetória é a forma como ela insere o afeto nessa equação. Em um ambiente frequentemente associado à performance e à racionalidade, Monique reconhece o amor como parte fundamental de sua estrutura.

“Eu só consigo ser recorrente em tudo isso porque eu me sinto amada, sou amada e amo também.”

A existência de uma rede afetiva, que inclui seu relacionamento e vínculos pessoais, aparece como base para sustentar a constância exigida pela sua atuação profissional.

@moniqueevelle

Ao trazer esse tema, ela também rompe com uma expectativa recorrente: a de que histórias de mulheres negras estejam sempre centradas na dor. Para Monique, falar de amor também é uma forma de reivindicar outras possibilidades de existência.

O custo invisível da ascensão

Se o poder traz autonomia, também carrega camadas menos visíveis. Entre elas, a solidão.

Com o avanço da carreira e a mudança de contexto social, surgem distanciamentos, de vivências, rotinas e até de relações. A sensação de transitar entre diferentes mundos, sem pertencer completamente a nenhum, passa a fazer parte da experiência.

Ainda assim, esse não é um ponto de ruptura, mas de consciência.

“O sofrimento não acaba. Ele só muda de forma.”

No fim, a trajetória de Monique Evelle não se sustenta apenas nos reconhecimentos recentes ou na visibilidade conquistada. Ela se constrói, sobretudo, naquilo que não aparece: na disciplina cotidiana, nas escolhas difíceis e na capacidade de ajustar a rota sem perder o controle do próprio destino.

TAGS:
AUTOR:
Barbara Braga