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Atriz angolana Lesliana Pereira chega a A Nobreza do Amor com personagem decisiva: "A Binta vai trazer o molho para Batanga"
Escolhida por Jendal para se tornar rainha, a nobre senegalesa promete alterar os rumos do reino e movimentar as relações de poder
A chegada de Lesliana Pereira ao elenco de A Nobreza do Amor marca um momento simbólico para a dramaturgia brasileira. Pela primeira vez atuando em uma produção no Brasil, a atriz angolana dará vida à nobre senegalesa Binta Faye, personagem que promete transformar os rumos de Batanga e impactar diretamente a trajetória de Jendal, vivido por Lázaro Ramos.
Com uma carreira consolidada entre Angola, Portugal e outros mercados internacionais, Lesliana desembarca na novela das sete da Globo trazendo não apenas sua experiência artística, mas também uma vivência africana contemporânea que dialoga diretamente com a proposta da trama.
Para a atriz, integrar uma produção que coloca a África no centro da narrativa tem um significado que ultrapassa o campo profissional.
“Hoje, ver uma novela como A Nobreza do Amor na grade da TV Globo é muito representativo para mim enquanto mulher negra e enquanto atriz. É perceber que existem oportunidades para contar histórias sobre uma África de poder, de realeza, de ancestralidade e de protagonismo. Uma África que existe dentro de nós e que também merece ser mostrada ao mundo.”
Um convite que parecia impossível
O convite para integrar o elenco chegou quando Lesliana estava na Nigéria participando do Africa Magic Viewers’ Choice Awards (AMVCA), um dos maiores eventos do audiovisual africano.
A princípio, ela acreditou que a mensagem da produção fosse uma brincadeira.
“Quando recebi a mensagem da produção da Globo, eu estava na Nigéria participando de um dos maiores festivais de audiovisual do continente africano. Achei que era trote. Mas, em menos de duas semanas, eu estava no Rio de Janeiro gravando. Foi tudo muito rápido e, ao mesmo tempo, muito especial.”
Desde então, a atriz passou a dividir cenas com nomes como Zezé Motta, Lázaro Ramos, Erika Januza, Duda Santos e Bukassa Kabengele. Ela conta que o acolhimento dos colegas foi imediato.

@leslianapereira
“Foi muito fácil me entrosar. Todos me receberam com muito carinho desde o primeiro dia. Eu cheguei e já me chamavam de rainha, de Binta. Hoje já viajamos juntos, saímos juntos e construímos uma relação muito bonita dentro e fora do set.”
Quem é Binta Faye?
Na trama assinada por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr., Binta Faye é uma representante da nobreza senegalesa escolhida para se casar com Jendal.
Mas, segundo Lesliana, a personagem está longe de ser apenas uma peça dentro do jogo político do reino. Por trás do título de nobre, existe uma mulher que chega para movimentar estruturas e provocar transformações dentro do palácio.
“O que mais me encantou na Binta foi a possibilidade de reforçar esse imaginário de reis, rainhas, princesas e nobrezas africanas. Muitas vezes contamos apenas uma parte dessas histórias, mas existiram muitos reinos, muitas lideranças e muitas mulheres ocupando lugares de poder. A Binta chega para ampliar esse universo de possibilidades.”
Sem entregar spoilers, a atriz adianta que sua personagem será uma das grandes responsáveis por mexer com o equilíbrio de forças em Batanga.
“A Binta vai mexer com tudo. Ela chega para movimentar o palácio, transformar relações e criar novas dinâmicas dentro de Batanga. Posso dizer que ela vai trazer muito molho para essa história e surpreender bastante o público.”
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Globo/Fabio Rocha
Uma angolana falando sobre África a partir da própria vivência
Nascida em Soyo, na província do Zaire, em Angola, Lesliana acredita que sua maior contribuição para a novela está justamente na experiência de quem vive o continente africano no dia a dia.
Ao longo das gravações, ela conta que frequentemente reconhece elementos culturais, expressões, costumes e referências que fazem parte da sua realidade.
“A minha maior contribuição para a novela é trazer a vivência de quem vive a África todos os dias. Às vezes estou em cena e reconheço uma palavra, uma comida, um costume, um penteado. São detalhes que fazem parte da minha vida. É uma troca muito bonita porque eu também consigo contribuir com essa experiência real do continente.”
A atriz também revela ter ficado impressionada com o cuidado da produção na construção estética e cultural de Batanga.
“Fiquei impressionada com o nível de pesquisa da novela. Quando vejo os penteados, as roupas e alguns detalhes da caracterização, reconheço elementos que existem em comunidades muito específicas do continente africano. É emocionante perceber o cuidado que a produção teve para construir essa narrativa.”
Representatividade que atravessa o oceano
Conhecida internacionalmente desde que conquistou os títulos de Miss Zaire e Miss Angola em 2008, além de representar seu país no Miss Universo no mesmo ano, Lesliana entende que sua presença em uma produção brasileira também carrega uma responsabilidade coletiva.
“Existe uma responsabilidade muito grande porque eu sei que Angola está olhando para mim. É como se fosse uma Copa do Mundo da teledramaturgia. As pessoas acompanham, torcem e querem ver uma atriz angolana ocupando esse espaço. Isso traz um frio na barriga, mas também uma enorme motivação para fazer o melhor trabalho possível.”
Mais do que apresentar uma nova personagem ao público brasileiro, ela espera contribuir para reduzir a distância histórica que ainda existe entre Brasil e África.
“Ainda hoje encontro pessoas que se surpreendem porque eu falo português. Isso mostra o quanto África e Brasil continuam distantes em muitos aspectos. Eu espero que a novela ajude a diminuir essa distância e mostre que somos sociedades contemporâneas, vivas, diversas e conectadas com o mundo.”
Para a atriz, esse reencontro passa também pela construção de novas referências.
“Eu gostaria que o público pudesse olhar para mim e enxergar uma mulher africana contemporânea. Uma mulher que trabalha, sonha, se diverte, constrói carreira e vive os desafios do seu tempo. Acho que essa identificação é muito importante para aproximar as nossas realidades.”
Com a chegada de Binta Faye, A Nobreza do Amor ganha uma nova peça em seu tabuleiro político. Mas, para além da ficção, a presença de Lesliana Pereira representa algo ainda maior: uma oportunidade de fortalecer pontes entre África e Brasil através da arte, da representatividade e de narrativas que ampliam o imaginário sobre o continente africano.






