6 de maio de 2026

Moda

Arte, moda e poder: o que marcou o Met Gala 2026

Edição deste ano foi uma das mais conceituais e teve Beyoncé como principal destaque; presenças de Janelle Monáe e Naomi Osaka reforçam novas leituras de corpo e imagem

Barbara Braga | 05/05/2026
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- Crédito: @graciefarquhar / @bustle

O tapete do Met Gala nunca foi só vermelho, ele é um território. E, em 2026, esse território ficou ainda mais evidente.

Na noite de 4 de maio de 2026, no Metropolitan Museum of Art, em Nova York, o evento reuniu artistas, estilistas e figuras centrais da cultura global em torno de um tema que, à primeira vista, parece simples: “Fashion Is Art”. Mas o que se viu não foi apenas moda. Foi interpretação, transformar o corpo em obra. Fazer da moda uma linguagem que ultrapassa o vestir e entra no campo da interpretação.

Mas toda vez que o corpo vira arte, surge uma pergunta inevitável: quem sempre teve o direito de ser visto assim?

A edição deste ano acompanhou a exposição “Costume Art”, que investiga a relação entre moda, corpo e produção artística.

No tapete vermelho, isso apareceu em:

  • silhuetas escultóricas
  • referências à anatomia
  • peças que transitavam entre roupa e instalação

O retorno de Beyoncé ao Met Gala, após quase uma década, não foi apenas um dos momentos mais aguardados da noite. Foi um ponto de virada.

Como co-chair, ao lado de Nicole Kidman e Venus Williams, ela não entrou para cumprir o tema, ela já vinha construindo isso há anos.

Seu corpo, sua estética, sua imagem pública sempre operaram como narrativa. No Met 2026, isso se materializa de forma direta: não há separação entre artista, obra e discurso.

E talvez seja por isso que sua presença pesa tanto. Porque Beyoncé não pede autorização para ser lida como arte. Ela já ocupa esse lugar.

Ao lado de Jay-Z e de Blue Ivy Carter, Beyoncé transformou sua chegada em algo maior que estética. Era sobre continuidade.

Se Beyoncé opera na consolidação, Janelle Monáe tensiona o futuro.

Conhecida por transformar moda em extensão de suas narrativas afrofuturistas, ela apareceu com um visual que atravessa tecnologia, identidade e imaginação.

Janelle não veste roupas, ela constrói universos.

E, em um ano que propõe moda como arte, sua presença reforça uma leitura importante: o futuro também é um território em disputa estética.

Rihanna e o tempo da imagem

Já Rihanna manteve sua tradição: chegou por último. Mas isso nunca foi sobre atraso. É sobre controle de narrativa.

Rihanna entende o Met Gala como poucos. Sua entrada não é apenas uma aparição, é um momento calculado, onde tempo, imagem e impacto se encontram.

Naomi Osaka aparece como um dos nomes mais interessantes da noite ao cruzar esporte, cultura e moda. Seu visual, marcado por cristais e camadas, não é apenas estético, ele reforça como novos corpos e trajetórias passam a ocupar esse espaço de forma mais complexa.

Ela representa uma virada importante: a entrada de narrativas que não vêm do circuito tradicional da moda, mas que tensionam o que é considerado relevante dentro dela.

O Met Gala 2026 foi, talvez, um dos mais conceituais dos últimos anos. Corpos cobertos por cristais, estruturas que remetem à anatomia, referências diretas à escultura, à pintura, à abstração.

Tudo apontando para a mesma direção: a moda quer ser reconhecida como arte.

Mas há um ponto que permanece. Se a moda é arte, ela também carrega as mesmas estruturas que definem o que é valorizado, exibido e legitimado.

E isso inclui:

  • quem é convidado
  • quem ocupa o centro
  • quem vira referência

Enquanto o espetáculo acontecia dentro do museu, do lado de fora havia protestos. Críticas ao luxo, à exclusividade, ao distanciamento entre aquele universo e a realidade de grande parte da população.

Esse contraste não é novo. Mas ele ganha outra camada quando o tema é justamente o corpo.

Porque, enquanto alguns corpos são celebrados como arte, outros seguem sendo controlados, invisibilizados ou marginalizados.

O Met Gala sempre foi sobre imagem. Mas algumas edições revelam mais do que estética. Revelam estrutura. E, em 2026, ao colocar o corpo no centro, o evento deixou algo claro: a arte nunca foi apenas sobre beleza. Ela é sobre quem pode ser visto, quem pode ser celebrado e quem ainda precisa disputar esse lugar.

No fim, não é só moda

É narrativa. É poder.É construção de imaginário.

E, quando nomes como Beyoncé, Janelle Monáe e Rihanna ocupam esse espaço, o que está em jogo vai muito além do look. É a possibilidade de expandir o que o mundo entende como arte e, principalmente, quem pode ser reconhecido como tal.

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Barbara Braga