Moda
“A Nobreza do Amor” transforma Rio Fashion Week em passarela de ancestralidade afro-brasileira
Com mais de 30 looks da trama, novela da TV Globo realizou desfile inédito na semana de moda
A novela A Nobreza do Amor ultrapassou as telas e ganhou as passarelas da Rio Fashion Week em um desfile que transformou figurino em narrativa e moda em extensão da dramaturgia. Na noite da última sexta-feira (17), mais de 30 looks inspirados na trama ocuparam o evento em uma apresentação inédita: foi a primeira vez que uma produção da TV Globo realizou um desfile temático dentro de uma semana de moda.
Ambientada nos anos 1920, a novela é construída como uma fábula afro-brasileira, e essa proposta guiou toda a apresentação. A passarela acompanhou a trajetória da protagonista Alika, vivida por Duda Santos, começando pelas indumentárias da fictícia Batanga, território africano onde a história tem início, e avançando para os figurinos que marcam sua fuga e chegada ao Brasil. O resultado foi uma sequência visual que conectou ancestralidade, deslocamento e identidade, traduzindo em roupas o caminho emocional da personagem.
![]() | ![]() | ![]() |
A abertura trouxe um set especial do DJ Africanize, seguido por uma performance de Zezé Motta, que reforçou o tom simbólico do desfile. Ao longo da apresentação, tecidos fluidos, bordados, turbantes, estampas e silhuetas inspiradas em referências africanas e brasileiras criaram uma estética que dialoga diretamente com o universo da obra.
O encerramento ampliou o significado da apresentação ao homenagear nomes fundamentais da cultura negra brasileira. Elenco e modelos cruzaram a passarela com estandartes que traziam figuras como Abdias do Nascimento, Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, Ruth de Souza e Milton Santos, transformando o desfile em um gesto de memória e reconhecimento.
Com participação do elenco, incluindo nomes como Lázaro Ramos, Fabiana Karla e Rodrigo Simas, a apresentação reforçou o figurino como parte essencial da construção dramática. As peças, desenvolvidas nos Estúdios Globo, resultam de uma pesquisa que cruza referências africanas e brasileiras dos anos 1920, refletindo o encontro cultural que estrutura a história.
Ao levar a estética de “A Nobreza do Amor” para a Rio Fashion Week, o desfile não apenas apresentou roupas, mas construiu uma narrativa visual sobre identidade, ancestralidade e pertencimento, aproximando moda e televisão em uma celebração da cultura afro-brasileira.







