Esportes
Uma estreia que muda o jogo, Laila Edwards abre caminho para uma nova geração no hóquei olímpico dos EUA
Aos 22 anos, a atleta entra para a história em Milão-Cortina 2026 e vira marco em um esporte historicamente branco e elitizado
Em um esporte que, por décadas, foi tratado como território quase exclusivo da branquitude, Laila Edwards acaba de cravar seu nome em uma estatística que não é só esportiva é histórica. Aos 22 anos, a jogadora se tornou oficialmente a primeira mulher negra a atuar pela seleção feminina dos Estados Unidos no hóquei no gelo em Jogos Olímpicos, durante as Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina 2026.
O marco, por si só, já diz muito: o hóquei no gelo é uma das modalidades mais caras do mundo, com barreiras de entrada que vão de acesso a pistas e equipamentos a redes de formação esportiva concentradas em determinados territórios e classes sociais. Quando raça entra na equação, a exclusão costuma ser ainda mais profunda. Por isso, a presença de Edwards em Team USA não representa apenas uma convocação, representa um deslocamento simbólico.
Nascida em Cleveland Heights (Ohio), Laila construiu sua trajetória em um caminho que não costuma ser oferecido com facilidade a meninas negras. Antes de chegar ao elenco olímpico, ela já vinha rompendo paredes: em 2023, entrou para a história ao se tornar a primeira mulher negra a integrar a seleção sênior dos Estados Unidos no hóquei, abrindo portas que estavam fechadas há gerações.
Em Milão-Cortina, o feito ganhou outra dimensão: ao vestir a camisa olímpica, Edwards passou a ocupar a vitrine mais poderosa do esporte mundial. E, em um dos momentos mais simbólicos, ela ainda marcou seu nome de forma definitiva ao balançar a rede contra o Canadá, rival histórico da modalidade, um gesto que se transforma em memória coletiva para qualquer atleta, mas que, para uma mulher negra, carrega um peso ainda maior.
Um feito que vai além do gelo
A história de Laila Edwards ajuda a iluminar uma pergunta incômoda: quem tem o direito de sonhar com certos esportes? Em modalidades como basquete, atletismo e futebol americano, a presença negra é massiva, mas isso não significa que a estrutura esportiva seja igualitária. No hóquei, a desigualdade é ainda mais visível: o esporte segue atravessado por elitização, falta de diversidade e uma cultura historicamente excludente.
Quando uma atleta negra chega ao topo nesse contexto, ela não vira apenas “a primeira”. Ela vira referência e, muitas vezes, responsabilidade. O que Edwards faz agora é inaugurar um novo imaginário: o de que meninas negras também podem se ver em uma pista de gelo, com patins, taco e medalha como horizonte.




