23 de março de 2026

Festivais e Shows

Tyler, The Creator encerra Lollapalooza Brasil 2026 e marca edição histórica

Com estreia solo no Brasil, artista transforma encerramento em narrativa estética e marca edição histórica do festival com 285 mil pessoas

Barbara Braga | 23/03/2026
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- Crédito: @lollapaloozabr

O Lollapalooza Brasil 2026 chegou ao fim deixando mais do que lembranças, deixou pistas. Foram 285 mil pessoas ao longo de três dias no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, sendo mais da metade vindas de fora do estado. Um deslocamento que diz muito sobre o tamanho do festival hoje, mas principalmente sobre o que ele representa: um ponto de encontro onde música, estética e identidade se cruzam em tempo real.

A 13ª edição foi construída a partir de uma curadoria que não se limitou a reunir nomes fortes, mas organizou uma experiência. Mais de 70 atrações passaram pelos palcos, incluindo 34 artistas internacionais, muitos em apresentações exclusivas no país, além de estreias aguardadas e nomes nacionais que ampliam cada vez mais o mapa da música brasileira para além do eixo Rio-São Paulo. Não por acaso, a maioria do público optou por viver o festival inteiro, em uma escolha que revela um novo comportamento: não é mais sobre ver um artista específico, mas sobre fazer parte de um todo.

Quando o palco vira linguagem

Esse “todo” ganhou forma especialmente no encerramento com Tyler, The Creator. Em sua primeira apresentação solo no Brasil, o artista transformou o palco em uma extensão da sua própria linguagem criativa, misturando narrativa visual, presença e um repertório que atravessa diferentes fases da carreira. Mais do que um show, foi uma construção estética que reafirma como o rap, e suas variações, ocupa hoje um espaço central no mainstream global sem abrir mão de complexidade.

Ao mesmo tempo, o festival seguiu mostrando sua força na diversidade de experiências. O retorno de Lorde criou um dos momentos mais emocionais da edição, enquanto a estreia do grupo KATSEYE trouxe uma energia coreografada que dialoga diretamente com uma nova geração de público. Em outro ponto, artistas como FBC reforçaram a potência das sonoridades brasileiras contemporâneas, conectando rap e funk em uma experiência que é, ao mesmo tempo, local e global.

Estética também é narrativa

Mas talvez o Lollapalooza diga tanto sobre o que acontece fora dos palcos quanto sobre o que está neles. Entre um show e outro, o festival se transforma em vitrine de comportamento: looks pensados, referências que atravessam décadas, jovens construindo suas próprias narrativas visuais enquanto ocupam um espaço que também é de afirmação. A estética, aqui, não é detalhe, é linguagem.

Ainda assim, olhar para o festival também exige atenção ao que precisa avançar. Apesar de uma curadoria diversa e de movimentos importantes em direção à pluralidade, a discussão sobre quem ocupa os espaços de maior destaque segue necessária, especialmente quando falamos de protagonismo negro e de artistas que historicamente estiveram à margem dos grandes palcos. Reconhecer a potência do evento passa também por tensionar seus limites.

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Barbara Braga