Saúde
SUS chega a 14,7 milhões de cirurgias eletivas em 2025 e marca o maior número da história
Com políticas de redução de filas, sistema público amplia procedimentos e reforça seu papel na saúde brasileira
O Sistema Único de Saúde (SUS) fechou 2025 com um marco histórico: 14,7 milhões de cirurgias eletivas realizadas em todo o Brasil, o maior volume já registrado. O número reforça um movimento que vem sendo acompanhado de perto por usuários do sistema e especialistas: o esforço para acelerar procedimentos que, apesar de não serem emergenciais, impactam diretamente qualidade de vida, mobilidade, autonomia e bem-estar.
Cirurgias eletivas são aquelas que podem ser programadas, como procedimentos ortopédicos, oftalmológicos, ginecológicos e outras intervenções que dependem de consulta especializada, exames e organização da rede. Na prática, são justamente essas cirurgias que costumam concentrar parte significativa das filas e do tempo de espera, especialmente em regiões com menor oferta de profissionais e infraestrutura hospitalar.
O recorde de 2025 supera o resultado do ano anterior, quando o SUS havia registrado aproximadamente 13,6 milhões de cirurgias eletivas. O crescimento indica uma ampliação de capacidade em diferentes frentes, desde o agendamento até a realização do procedimento, passando pelo acompanhamento pré e pós-operatório.
De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, o avanço foi impulsionado por medidas voltadas à reorganização do atendimento especializado e à redução do represamento cirúrgico acumulado nos últimos anos. Entre as estratégias apontadas estão incentivos financeiros, revisão de valores pagos por procedimentos e articulações com estados, municípios e instituições filantrópicas, que têm papel decisivo na rede pública.
Apesar do número expressivo, o recorde também reacende discussões importantes: como garantir que esse aumento seja sustentado em 2026 e nos próximos anos? E, principalmente, como assegurar que a ampliação chegue com a mesma força às populações mais vulnerabilizadas, que historicamente enfrentam barreiras maiores para acessar especialistas, exames e cirurgias?
Mesmo com o recorde, o dado também escancara um desafio estrutural do país: o acesso à cirurgia não é igual para todo mundo. No Brasil, raça, território e renda seguem influenciando quem consegue chegar mais rápido ao especialista, realizar exames e entrar na fila de um procedimento. Em muitas regiões periféricas, rurais e do Norte e Nordeste, a distância de hospitais, a falta de profissionais e a sobrecarga da rede tornam o caminho mais longo e, para a população negra, esse cenário se soma a barreiras históricas que atravessam o cuidado em saúde. Por isso, o avanço de 2025 é relevante, mas o debate precisa ir além do número: ampliar cirurgias também significa reduzir desigualdades e garantir que o SUS alcance quem historicamente ficou mais distante do atendimento completo.




