Saúde
Polilaminina: como funciona o tratamento experimental que pode chegar ao SUS
Proteína brasileira em fase de testes clínicos surge como esperança para pessoas com lesão medular
Uma pesquisa desenvolvida no Brasil pode representar um avanço significativo no tratamento de lesões na medula espinhal. A polilaminina, proteína experimental voltada à regeneração neural, poderá ser distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) após aprovação regulatória da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
A informação foi confirmada pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, que participa do desenvolvimento da tecnologia. Segundo ela, existe a previsão de que, caso a substância receba o registro definitivo, o tratamento seja incorporado à rede pública, garantindo acesso universal e gratuito.
O que é a polilaminina?
A polilaminina é uma versão modificada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo e essencial para a estrutura dos tecidos nervosos. O composto está sendo estudado como alternativa terapêutica para lesões medulares graves, condição que pode levar à paraplegia ou tetraplegia.
A pesquisa é conduzida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com o Laboratório Cristália. Os estudos clínicos em humanos estão na fase 1, etapa inicial voltada à avaliação de segurança e possíveis efeitos adversos.
Em fases anteriores e testes pré-clínicos, os resultados indicaram potencial regenerativo promissor, levantando expectativas na comunidade científica e entre pacientes que convivem com sequelas permanentes de traumas na medula.
O que falta para chegar ao SUS
Apesar do anúncio, a polilaminina ainda não tem aprovação definitiva para uso amplo. Para que seja incorporada ao SUS, será necessário concluir todas as etapas de testes clínicos (fases 2 e 3), comprovar eficácia terapêutica e obter o registro sanitário da Anvisa.
Somente após esse processo regulatório o Ministério da Saúde poderá formalizar a incorporação da tecnologia ao sistema público.
Caso seja aprovada, a distribuição pelo SUS representará não apenas um avanço médico, mas também um marco para a ciência brasileira. Em um cenário global em que tratamentos de alta complexidade costumam ter custos elevados, a promessa de gratuidade reforça o princípio constitucional da universalidade do sistema público de saúde.




