10 de fevereiro de 2026

Filmes e séries

Netflix aposta em Naruna Costa e Camilla Damião como protagonistas de Salve Geral: Irmandade, novo filme do universo de Irmandade

Spin-off da série Irmandade estreia em 11 de fevereiro e coloca a violência policial e os dilemas familiares no centro da trama

Barbara Braga | 10/02/2026
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- Crédito: Netflix

A Netflix estreia em 11 de fevereiro de 2026 o filme Salve Geral: Irmandade, spin-off do universo da série brasileira Irmandade, e a produção chega com um elemento que muda o eixo simbólico da narrativa: duas mulheres negras como protagonistas absolutas.

Em um gênero historicamente dominado por personagens masculinos, especialmente no cinema e nas séries que abordam crime, facções e violência urbana, o longa coloca no centro da história Cristina (Naruna Costa) e Elisa (Camilla Damião). O movimento é significativo não apenas por ampliar a franquia, mas por reposicionar mulheres negras como motor da ação, do conflito e das escolhas que conduzem a trama.

A trama: crise, sequestro e o “salve geral”

No filme, a Irmandade enfrenta uma crise interna quando seus principais líderes são transferidos para presídios de segurança máxima. A mudança abala o equilíbrio de poder e desencadeia uma escalada de tensão que explode quando Elisa, jovem de 18 anos e filha de Edson (Seu Jorge), fundador da facção, é sequestrada por policiais corruptos.

A partir desse ponto, o filme transforma São Paulo em um território de instabilidade. Enquanto Elisa se torna peça central de um jogo perigoso, Cristina entra em uma missão de resgate que atravessa dilemas morais, alianças frágeis e o confronto direto com estruturas de violência, tanto do crime quanto do Estado.

O título do filme não é apenas efeito dramático: o “salve geral” se materializa como uma resposta coordenada da facção, com ataques e ações que espalham caos e tensão pela cidade.

Duas protagonistas negras: quando o centro muda, a história muda

Um dos aspectos mais relevantes de Salve Geral: Irmandade está no que ele representa dentro do audiovisual brasileiro. Em narrativas de crime urbano, mulheres negras costumam aparecer como figuras secundárias: mães, esposas, vítimas ou personagens usadas para humanizar protagonistas masculinos.

Aqui, a lógica se inverte. Cristina e Elisa não orbitam a história de ninguém: elas são a história.

Cristina carrega a força de uma personagem que conhece o sistema por dentro, mas que também precisa lidar com o peso de escolhas difíceis. Já Elisa, jovem e herdeira de um legado que não necessariamente escolheu, se vê no centro de um conflito que expõe como o poder, seja institucional ou criminoso, pode sequestrar destinos.

Esse deslocamento de protagonismo, por si só, já funciona como um gesto político: é raro ver um thriller urbano de grande plataforma construído a partir do olhar e do corpo de duas mulheres negras.

Ação e tensão em duas cenas exclusivas divulgadas

A Africanize teve acesso a dois trechos exclusivos em vídeo, que ajudam a indicar o tom da produção.

O primeiro é uma cena centrada justamente nas protagonistas: um momento entre Cristina (Naruna Costa) e Elisa (Camilla Damião), reforçando a relação entre as duas como eixo emocional e narrativo do longa.

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O segundo trecho vai para o lado mais explosivo da trama: um confronto direto entre a polícia e a Irmandade, em uma parte central do filme, ampliando a sensação de guerra urbana e a tensão constante que marca o universo da franquia.

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Um thriller urbano sobre crime, Estado e sobrevivência

Dirigido por Pedro Morelli, criador de Irmandade, o filme promete manter a identidade visual e o peso dramático que marcaram a série, agora em formato de longa-metragem. A narrativa se organiza em torno de ação e urgência, mas também carrega questões que atravessam o Brasil real: corrupção policial, violência institucional e a fragilidade das fronteiras entre “lei” e “crime”.

Ao colocar o sequestro de Elisa nas mãos de policiais, a trama reforça um dos pontos mais incômodos, e mais reais, da violência urbana: quando a autoridade também se torna ameaça, a ideia de proteção se desfaz.

Com estreia marcada para 11 de fevereiro de 2026, Salve Geral: Irmandade chega como um dos lançamentos brasileiros mais aguardados da Netflix no ano. E além da expansão do universo de Irmandade, o filme se destaca por algo ainda raro: um thriller de ação liderado por duas mulheres negras, conduzindo a narrativa com força, presença e complexidade.

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Barbara Braga