Educação
Governo anuncia criação da Universidade Federal África-Brasil na Bahia
Nova instituição deve ser estruturada a partir do campus dos Malês, hoje vinculado à Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
O anúncio da criação da Universidade Federal África-Brasil (UFAB), na Bahia, marca mais do que a expansão do ensino superior público: reposiciona o país em uma agenda estratégica de cooperação com a África e com a diáspora negra.
A proposta, apresentada em 2026, prevê a estruturação da nova instituição a partir do campus dos Malês, em São Francisco do Conde, atualmente vinculado à Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB).
De campus a universidade
Na prática, o projeto aponta para a possível emancipação do campus baiano da UNILAB, transformando a estrutura já existente em uma universidade autônoma.
O movimento acompanha a ampliação da demanda por vagas, o fortalecimento de políticas de internacionalização e a necessidade de consolidar o Brasil como polo de formação conectado ao Sul Global.
Ainda não há cronograma oficial para a transição, que depende de etapas legais, administrativas e orçamentárias.
O que está em jogo
A UFAB nasce com foco direto em:
- cooperação acadêmica com países africanos
- ampliação de intercâmbios internacionais
- formação voltada à diáspora africana
Diferente de modelos tradicionais, a proposta não trata a internacionalização como extensão, mas como base estrutural do projeto acadêmico.
A escolha de São Francisco do Conde não é apenas operacional. A Bahia concentra uma das maiores populações negras do Brasil, conexões históricas com o continente africano e uma base já consolidada de estudantes internacionais.
Com a UFAB, o estado tende a se consolidar como um dos principais centros de produção de conhecimento afro-diaspórico no país.
Criada em 2010, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira foi pioneira ao propor integração acadêmica entre Brasil e países africanos de língua portuguesa.
Ao mesmo tempo, a instituição também enfrentou limitações estruturais, desafios de financiamento e instabilidades políticas.




