Esportes
Equipe olímpica do Haiti não pôde usar imagem de Toussaint L’Ouverture em seus uniformes por regras do COI
Equipe haitiana precisou alterar o design para Milão-Cortina 2026 após o Comitê Olímpico considerar a homenagem uma violação das regras de “neutralidade”
A participação do Haiti nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 ganhou um capítulo inesperado fora das pistas. Segundo informações divulgadas na imprensa internacional, a equipe haitiana foi impedida de usar a imagem de Toussaint L’Ouverture em seus uniformes por conta das regras do Comitê Olímpico Internacional (COI).
A decisão, que levou a uma alteração no design, reacendeu discussões sobre os limites da chamada “neutralidade olímpica, especialmente quando o símbolo em questão é um personagem histórico diretamente ligado à fundação de um país e à memória da luta anticolonial.
Quem foi Toussaint L’Ouverture e por que ele importa
Toussaint L’Ouverture é uma das figuras mais emblemáticas da história moderna. Líder da Revolução Haitiana, ele foi um dos principais responsáveis por conduzir o processo que culminou na independência do Haiti e no nascimento da primeira república negra do mundo, resultado de uma revolta vitoriosa de pessoas escravizadas contra o domínio colonial francês.
Para o Haiti, L’Ouverture não é apenas um personagem do passado: ele representa um marco de resistência, liberdade e autodeterminação negra em escala global, e é frequentemente evocado como símbolo nacional.
O uniforme: homenagem histórica e assinatura de Stella Jean
O uniforme olímpico haitiano foi desenhado pela estilista Stella Jean, designer ítalo-haitiana conhecida por unir moda e narrativas de identidade. O design original trazia uma representação inspirada em uma pintura histórica: Toussaint montado em um cavalo vermelho, uma imagem poderosa associada ao imaginário da independência haitiana.
A proposta chamou atenção internacionalmente por carregar uma estética forte e uma mensagem clara: a presença do Haiti nos Jogos, ainda que em uma delegação pequena, não seria apenas esportiva, seria também cultural e histórica.
A intervenção do COI e a justificativa
De acordo com as informações divulgadas, o COI considerou que a imagem de Toussaint L’Ouverture violaria as regras olímpicas que proíbem o uso de elementos que possam ser interpretados como propaganda política, religiosa ou racial em uniformes e espaços oficiais dos Jogos.
O Comitê sustenta há décadas uma política de “neutralidade” que, na prática, limita manifestações explícitas de posicionamento, inclusive quando se trata de símbolos ligados à história de determinados povos.
A equipe de criação não removeu totalmente o conceito, mas precisou reformular a imagem. Como alternativa, o cavalo vermelho permaneceu no uniforme, mas sem a figura de Toussaint.
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Mesmo com a mudança, a participação haitiana em Milão-Cortina segue histórica. O país tem presença rara nos Jogos de Inverno, e atletas como Stevenson Savart vêm sendo celebrados por ampliar o imaginário sobre quem pertence aos esportes no gelo.






