Esportes
Convocado pela Holanda, Memphis Depay vive fase inédita entre futebol europeu e brasileiro
Atacante do Corinthians disputará mais um Mundial em meio à forte identificação construída com a cultura brasileira dentro e fora dos gramados
Quando Memphis Depay desembarcou no Brasil para vestir a camisa do Corinthians, muita gente enxergou a contratação apenas como um movimento esportivo.
Mas poucos meses depois, ficou claro que a relação do atacante holandês com o país ultrapassaria o futebol. Agora, essa conexão ganha um novo capítulo: Memphis Depay foi oficialmente convocado pela Holanda para disputar a Copa do Mundo de 2026.
A lista anunciada pelo técnico Ronald Koeman confirmou o atacante entre os nomes que representarão a seleção holandesa no torneio, marcando sua terceira participação em Mundiais.
Memphis chega à Copa vivendo uma fase rara no futebol internacional contemporâneo: a de um astro europeu que constrói protagonismo mundial atuando no futebol brasileiro.
E talvez isso explique parte da identificação que ele vem criando com o público no Brasil.
Desde sua chegada ao Sport Club Corinthians Paulista, Memphis passou a ocupar um espaço que vai além do desempenho dentro de campo.
O jogador rapidamente se aproximou de elementos da cultura periférica brasileira, especialmente através do funk, do hip hop, da moda urbana, da música negra e da relação direta com torcedores nas ruas e redes sociais.
Mais do que adaptação, o que começou a aparecer foi uma espécie de troca cultural genuína.
Memphis sempre construiu sua imagem pública conectada à música, arte e identidade negra na Europa. No Brasil, encontrou um ambiente onde essas expressões culturais também fazem parte da vivência cotidiana das periferias urbanas, especialmente em São Paulo.
Isso ajudou o atacante a se tornar rapidamente uma figura popular fora do circuito tradicional do futebol. Ao mesmo tempo, a convocação reforça a importância histórica que Memphis possui dentro da seleção holandesa.
Mesmo convivendo com lesões recentes, o atacante continua sendo uma das principais referências técnicas da equipe e um dos jogadores mais experientes da atual geração da Holanda.
Sua trajetória com a camisa laranja atravessa diferentes ciclos da seleção e inclui participações em Copas do Mundo, Eurocopas e campanhas importantes no cenário europeu.
Agora, ele chega ao Mundial de 2026 em um contexto diferente: mais maduro, mais conectado à própria identidade cultural e vivendo uma experiência fora do eixo tradicional do futebol europeu.
A Holanda chega à Copa tentando finalmente conquistar um título que escapou em diferentes gerações históricas da seleção e Memphis será uma das lideranças desse processo. Mas existe também algo simbólico para o futebol brasileiro nessa história.
Durante anos, o fluxo entre Brasil e Europa aconteceu quase sempre em uma única direção:
jovens brasileiros saindo para o futebol europeu. A presença de Memphis no Corinthians, e agora em uma Copa do Mundo enquanto atua no Brasil, ajuda a inverter momentaneamente essa lógica.
Mostra que o futebol brasileiro ainda possui capacidade de atrair grandes nomes globais não apenas financeiramente, mas culturalmente.




