9 de maio de 2026

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Celebradas em maio, penalizadas o resto do ano: a realidade das mães no mercado de trabalho

Desinformação sobre direitos previdenciários se soma às desigualdades enfrentadas por mães no mercado, realidade que atinge principalmente mulheres negras e trabalhadoras informais

Barbara Braga | 08/05/2026
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- Crédito: Shutterstock

Todo mês de maio, campanhas emocionais reforçam a imagem da maternidade como símbolo máximo de amor, cuidado e dedicação. Mas fora da publicidade e das homenagens, milhões de mulheres seguem enfrentando uma realidade muito menos acolhedora: a maternidade ainda representa perda de renda, insegurança profissional e dificuldade de acesso a direitos básicos.

Entre eles está o salário-maternidade, benefício previdenciário que muitas brasileiras ainda desconhecem, especialmente mulheres negras, periféricas e trabalhadoras informais.

Segundo a advogada previdenciária Leiry Sobral, muitas mulheres deixam de solicitar o benefício simplesmente porque acreditam não ter direito.

“O salário-maternidade é um direito que pode garantir maior segurança em um momento importante da vida da mulher. No entanto, ainda existe muita desinformação sobre quem pode ter acesso e quais são os critérios”, explica.

O benefício vai além da carteira assinada

Um dos principais mitos sobre o tema é a ideia de que apenas mulheres com emprego formal podem acessar o benefício. Mas o salário-maternidade também pode ser concedido para:

  • MEIs
  • trabalhadoras autônomas
  • empregadas domésticas
  • seguradas facultativas
  • trabalhadoras rurais
  • e até mulheres desempregadas em algumas situações específicas

O benefício pode ser solicitado em casos de:

  • parto
  • adoção
  • guarda judicial para fins de adoção
  • e aborto previsto em lei

Em determinados casos, basta apenas uma contribuição válida ao INSS para garantir o acesso ao direito. Ainda assim, a falta de informação continua sendo uma das maiores barreiras.

A penalização da maternidade tem nome

O problema não termina no acesso aos direitos previdenciários. Existe também um fenômeno estrutural conhecido como motherhood penalty ou penalização da maternidade.

O termo descreve o impacto negativo que muitas mulheres sofrem na vida profissional após se tornarem mães:

  • menos oportunidades
  • menos crescimento
  • perda salarial
  • desvalorização profissional
  • e maior dificuldade de permanência no mercado

Mesmo quando seguem exercendo exatamente as mesmas funções.

Enquanto isso, homens frequentemente vivenciam o chamado fatherhood bonus, quando a paternidade passa a ser vista pelo mercado como sinal de estabilidade, maturidade e comprometimento. Na prática, a parentalidade ainda impulsiona alguns e limita outras.

Mulheres negras sentem os impactos de forma mais intensa

O debate ganha ainda mais urgência quando observado através do recorte racial.

Mulheres negras seguem concentradas nos trabalhos:

  • informais
  • precarizados
  • sem proteção trabalhista
  • e historicamente desassistidos pela seguridade social

Isso significa que muitas atravessam a maternidade sem estabilidade financeira, sem informação previdenciária e sob risco constante de exclusão do mercado de trabalho.

Além disso, seguem sub-representadas em cargos de liderança e frequentemente enfrentam pressão silenciosa para adiar ou esconder a maternidade dentro dos ambientes profissionais.

A maternidade que o mercado celebra e a que ele rejeita

Existe uma contradição evidente na maneira como o mercado trata mães.

Ao mesmo tempo em que transforma o Dia das Mães em grande evento comercial, muitas mulheres continuam sendo:

  • demitidas
  • rebaixadas
  • invisibilizadas
  • ou afastadas profissionalmente após a maternidade

Porque a maternidade ainda é tratada como potência simbólica nas campanhas, mas como problema dentro da lógica produtiva.

E talvez seja justamente esse o ponto central da discussão: não basta celebrar mães sem garantir estrutura, proteção e acesso a direitos.

Informação também é proteção social

As campanhas de conscientização desenvolvidas durante o mês de maio deveriam buscar justamente ampliar o acesso à informação sobre o salário-maternidade e outros direitos previdenciários ligados à maternidade.

Segundo Leiry Sobral, muitas mulheres ainda acreditam que precisam contribuir durante anos para ter acesso ao benefício, o que nem sempre corresponde às regras atuais.

“Existe uma percepção comum de que é necessário contribuir por muitos anos para ter direito ao benefício, o que não é necessariamente verdade. A informação correta é fundamental para que mais mulheres possam exercer esse direito”, afirma.

Porque no fim, maternidade também é questão de renda, permanência, proteção social e sobrevivência.

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Barbara Braga