Moda
Anok Yai desabafa sobre carreira e vida pessoal: “Às vezes, minha cabeça sangrava”
A modelo do ano é a capa da Vogue Britânica de junho e compartilhou sobre seu iniciou como modelo e sobre sua doença pulmonar
A modelo Anok Yai é a capa Vogue Britânica do mês de maio. Com fotos do brasileiro Rafael Pavarotti, a modelo do ano deu uma entrevista exclusiva e desabafou sobre sua vida pessoal e sobre a indústria da moda.
“Lembro-me de ver todas as meninas negras nos bastidores da minha primeira temporada e o cabelo de todas estava sendo destruído porque ninguém sabia o que fazer com ele e todas nós chorávamos de dor. Eles puxavam e arrancavam nossos cabelos como se não fôssemos humanas. Às vezes, minha cabeça sangrava. E o cabeleireiro simplesmente me chamava de ‘dramática’”, comentou a modelo.
O cabelo foi uma grande questão para Anok. A modelo compartilhou com a revista que incentivou outras mulheres negras a lutar contra o alisamento.
“A indústria adora quando tem uma mulher negra que eles podem chamar de vadia. Havia vários cabeleireiros alisando meu cabelo ao mesmo tempo… e aí eu enxuguei as lágrimas e eles me expulsaram. Me tornei mais agressiva na minha postura. Outras mulheres negras perguntavam: ‘Como você fez isso?’ E eu respondia: ‘É só dizer que você quer desfilar com um afro ou tranças.’ Se elas estivessem com muito medo de ir sozinhas, eu ia com elas e segurava suas mãos”, revelou.
Entretanto, sua atitude acabou causando consequências. Sua atitude fez com que muitos nomes da indústria dissessem que ela estava “passando dos limites”, mas logo depois usar trança virou obrigatório. “Eu trançava meu cabelo umas quatro vezes por semana e, depois de um tempo, quando alguém tocava na minha cabeça, parecia que estava pegando fogo. Aí meu cabelo começou a cair. Foi quando decidi raspar a cabeça. Não quero ser negativa, mas já vi os lados muito, muito sombrios da moda”, comentou a modelo do ano.
A modelo de 28 anos nasceu no Cairo, mas se mudou ainda nova para Nova York, nos EUA, mas logo depois foi para New Hampshire. Foi lá que conheceu o racismo pela primeira vez. “Era muito racista. Lembro-me de ir para a escola e as pessoas jogarem ovos em mim. Me chamavam de ‘negra’. Chegaram a jogar baldes de água em mim do terceiro andar. Havia certas ruas por onde eu propositalmente evitava andar porque sabia que algo ruim poderia acontecer em New Hampshire”, relembrou.
Mesmo com todas as adversidades, Anok Yai é atualmente uma das maiores modelos do mundo. Em 2025, ela foi considerada pela The Fashion Awards a modelo do ano.
Além de receber o prêmio de melhor modelo do ano, 2025 de Anok foi marcado por muita luta. No ano passado, ela revelou ao mundo que estava travando uma batalha silenciosa contra contra uma doença pulmonar que afetou seu coração desde 2024. Ela precisou passar por uma cirurgia delicada e semanas de recuperação.
“Sempre tive pavor de morrer. Às vezes, isso me domina. Então, quando soube que meu coração corria o risco de parar, acho que me concentrei em esconder isso de todos, ir trabalhar e garantir que parecesse que eu estava bem. Lembro que em alguns shows eu estava no banheiro tossindo sangue. É muito estranho olhar para trás e saber que isso estava acontecendo ao mesmo tempo em que minha carreira estava decolando”, revelou Anok para a Vogue.
“Lembro-me de acordar e o médico dizer: ‘Meu Deus, foi por pouco. Quase te perdemos. Você quase morreu.’ A gravidade da situação me atingiu em cheio. Só me lembro das expressões nos rostos da minha família, do silêncio absoluto. Lembro-me de pensar: ‘Se eu morrer agora, todos vão acordar amanhã de manhã. O sol ainda vai nascer e a vida vai continuar.’ Nunca me senti tão importante e insignificante ao mesmo tempo.”




