23 de março de 2026

Esportes

A nova camisa amarela da Seleção chegou e aposta no retorno ao clássico

Lançamento da Nike com a CBF aposta no retorno ao clássico, mas também evidencia as disputas em torno de identidade e pertencimento

Barbara Braga | 23/03/2026
Thumbnail
- Crédito: Divulgação/Nike

A nova camisa amarela da Seleção Brasileira foi apresentada, mas, como sempre acontece, o lançamento vai muito além do futebol. Mais do que um uniforme, ela chega como símbolo e, no Brasil de hoje, símbolo nunca é neutro.

Desenvolvida pela Nike em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol, a nova peça aposta no resgate do “amarelo canário”, retomando uma estética mais clássica e imediatamente reconhecível. É um retorno que conversa com a memória afetiva do torcedor, com imagens históricas e com a ideia de um Brasil que já foi, muitas vezes, sinônimo de excelência dentro de campo.

Divulgação/Nike

Mas essa escolha também carrega intenção. Nos últimos anos, a camisa da Seleção deixou de ser apenas um item esportivo para se tornar um objeto atravessado por disputas simbólicas, apropriado por diferentes narrativas e, em alguns momentos, distante de parte da população. Retomar o visual tradicional, nesse contexto, parece menos uma decisão estética e mais um movimento de reposicionamento, uma tentativa de reconectar o símbolo com um sentimento coletivo que, em alguma medida, se fragmentou.

Ao mesmo tempo, essa nova fase da Seleção também passa por quem veste essa camisa. Jogadores como Vinícius Júnior representam uma geração que não apenas joga, mas também se posiciona, tensiona e amplia o significado de estar ali. É importante lembrar que o futebol brasileiro, como o mundo conhece, foi construído majoritariamente por corpos negros, que transformaram o jogo em expressão cultural, linguagem e identidade. Ainda assim, essa história nem sempre foi reconhecida de forma justa, e é por isso que cada novo ciclo também carrega a possibilidade de recontar essa narrativa

Nesse cenário, a camisa funciona quase como um ponto de partida. Ela não resolve as tensões que existem ao redor da Seleção, mas aponta para uma tentativa de reconstrução de imagem, de reconexão com o público e de atualização do que significa representar o Brasil hoje. Porque o país mudou, o olhar sobre a Seleção mudou e a relação com os símbolos nacionais também passou por transformações.

A nova camisa amarela chega tentando resgatar um passado de identificação, mas inevitavelmente se insere em um presente onde pertencimento, representação e identidade seguem em disputa.

TAGS:
AUTOR:
Barbara Braga