24 de fevereiro de 2026

Afri News

Dado Dolabella paga acordo e encerra ação por agressão à camareira

Ator e ex-camareira chegam a entendimento para encerrar ação judicial por agressão

Barbara Braga | 23/02/2026
Thumbnail
- Crédito: Arquivo pessoal | Portal Leo Dias

O ator Dado Dolabella confirmou ter firmado um acordo judicial para encerrar o processo movido pela camareira Esmeralda de Souza Honório, conhecida como Dona Esmê, que o acusou de agressão durante uma produção artística há mais de uma década. O caso se arrastava na Justiça desde 2012.

Segundo o próprio ator, o acordo foi uma iniciativa sua para “encerrar esse ciclo”. O entendimento prevê o pagamento de um valor inferior ao inicialmente discutido no processo e ainda depende de homologação judicial para ser oficialmente concluído.

A formalização do acordo encerra juridicamente uma disputa que atravessou anos, mas também reabre um debate que vai muito além das partes envolvidas.

Violência contra mulheres e o peso do tempo

Casos de agressão envolvendo figuras públicas frequentemente seguem um roteiro conhecido: denúncia, repercussão, desgaste, longos anos de tramitação judicial e, muitas vezes, acordos que encerram o processo sem uma sentença definitiva.

Para mulheres que denunciam violência, especialmente quando enfrentam homens com maior poder econômico ou visibilidade pública, o tempo se torna um fator central. Processos que duram mais de dez anos significam desgaste emocional, exposição pública e custos financeiros. A morosidade da Justiça, nesses contextos, pode funcionar como um mecanismo indireto de silenciamento.

Quando a vítima é uma trabalhadora em posição hierarquicamente inferior, como no caso de uma camareira em relação a um ator, as assimetrias de poder tornam o enfrentamento ainda mais complexo.

Acordo não é absolvição

É importante destacar: um acordo judicial não equivale a absolvição. Ele representa um entendimento entre as partes para encerrar o litígio, geralmente envolvendo compensação financeira, sem que haja necessariamente uma decisão final de mérito.

No entanto, na arena pública, acordos frequentemente são interpretados de forma ambígua, ora como reconhecimento tácito de responsabilidade, ora como estratégia pragmática para evitar prolongamento do desgaste.

Em casos de violência contra mulheres, essa ambiguidade se soma a uma cultura histórica de relativização das denúncias, especialmente quando o acusado é uma figura conhecida.

Cultura de responsabilização ou cultura de esquecimento?

O caso reacende um debate mais amplo sobre como o Brasil lida com acusações de agressão envolvendo celebridades. A trajetória de figuras públicas acusadas de violência costuma oscilar entre momentos de reprovação pública e tentativas de reabilitação de imagem.

O Brasil avançou nas últimas décadas com legislações como a Lei Maria da Penha, ampliando instrumentos de proteção às mulheres. No entanto, a efetividade da responsabilização ainda esbarra em desigualdades estruturais, cultura de descrédito às vítimas e lentidão processual.

TAGS:
AUTOR:
Barbara Braga